URGE OVERKILL

URGE OVERKILL

O Urge Overkill foi formado em 1986 em Chicago por Nash Kato (vocal e guitarra) e Eddie "King" Roeser (vocal e baixo). Depois de algum tempo, o baterista Blackie Onassis completou a formação de uma das bandas de maior destaque da cena independente americana do início dos anos 90. Numa época onde muitas bandas tinham uma atitute introspectiva que contrariava o modelo "rock star", o Urge Overkill sempre foi uma banda de entretenimento. Seus integrantes usavam roupas chamativas e extravagantes e seus discos e shows tinham o objetivo único de divertir e animar o público. A sonoridade da banda refletia influências do punk e do rock dos anos 70 de bandas como o Cheap Trick e Raspberries, que tinham uma atitude bem similar na época com aquilo que o Urge Overkill sempre representou durante sua carreira, puro entretenimento baseado em melodias fáceis e shows sempre performáticos.

A história da banda começa em 1986 quando Nash Kato conhece Eddie "King" Roeser na faculdade em Chicago, e somados ao baterista Jack "The Jaguar" Watt formam o Urge Overkill (some tirado de uma música da banda funk Parliament Funkadelic). No mesmo ano, a banda lança seu primeiro EP, "Strange, I...", pela gravadora Touch & Go, que foi produzido por um ainda iniciante Steve Albini (que também era colega de faculdade dos caras). Depois de algum tempo tocando juntos, em 1989 é lançado o segundo álbum, "Jesus Urge Superstar", também produzido por Albini. De início, os discos não chamaram muita atenção, na época a banda parecia estar ainda por desenvolver uma identidade própria e suas músicas seguiam um padrão comum entre o punk das bandas da Touch & Go que dominavam a cena de Chicago, sem se destacar entre elas. As coisas começaram a mudar quando saiu o terceiro registro do Urge Overkill, "Americruiser", de 1990, produzido por Butch Vig. Kato e Roeser mostravam sinais de que estavam amadurecendo como compositores, com melodias mais acessíveis e memoráveis, explorando uma vocação mais pop da banda. Um dos resultados foi o sucesso de 'Ticket to LA' a primeira música do Urge Overkill a receber destaque nas College Radios americanas. Nessa época, o baterista Blackie Onassis junta-se ao trio e ajuda a desenvolver a estética da banda, tanto visual como musicalmente, aprimorando a mistura de influências do rock de arena dos anos 70 (Stones, Cheap Trick, Raspberries) e o punk. A estréia do "novo" Urge Overkill foi no álbum "SuperSonic Storybook", de 1991, aclamado pela crítica. Em pouco tempo, o Urge Overkill se tornava uma da maiores promessas da cena alterativa americana, baseado no sucesso de "SuperSonic Storybook" e pelas incessantes turnês da banda, que incluiram os shows como banda de abertura na histórica turnê do álbum Nevermind do Nirvana.

Em 1992, a banda resolve comemorar o sucesso com o lançamento de mais um EP, o descompromissado "Stull", que continha "Girl, You'll Be a Woman Soon", cover de Neil Diamond e "Goodbye to Guyville", um verdadeiro 'tapa na cara' na cena independente de Chicago, onde eles nunca chegaram a ser completamente aceitos. O termo "Guyville" foi usado alguns anos depois no título do álbum "Exile in Guyville", o aclamado disco de estréia de Liz Phair.

A banda assina com a Geffen em 1992, mesmo restando um disco a ser lançado pelo contrato com a Touch & Go. A prevísivel mudança para uma grande gravadora irritou a todos na Touch & Go, particularmente ao produtor Steve Albini, que atacou publicamente a banda em várias entrevistas. "Saturation", o primeiro disco por uma grande gravadora, foi lançado em 1993, com a produção dos Butcher Brothers. O disco tinha tudo para ser um hit, trazia uma produção bem cuidada e caprichada com um som limpo e melodias fáceis, uma repetição da fórmula que fez de "Nevermind" um clássico, só que com uma sonoridade mais para o hard rock, se contapondo ao som explosivo do Nirvana. Aliás, em nenhum momento o Urge Overkill foi considerado ou tachado de "grunge", embora o público da banda também consumisse o chamado som de Seattle.

Mas sucesso de "Saturation" não correspondeu às expectativas, mesmo sendo o álbum mais vendido do UO. A banda já não se encaixava mais no circuito underground mas também não obteve um espaço no mainstream. Ao mesmo tempo, a atitude de "rock star" de seus integrantes começava a incomodar a "comunidade" do rock alternativo. Em Chicago chegou a acontecer uma verdadeira campanha anti-urge, onde havia um fã-zine cujo objetivo era unicamente depreciar a imagem do grupo.

A banda se preparava para gravar o seu próximo disco quando o diretor Quentin Tarantino escolheu o cover de "Girl You'll Be A Woman Soon" para a trilha sonora de Pulp Fiction. O sucesso do filme e de sua trilha sonora mudou a trajetória do Urge Overkill, que teve por um esquecido cover gravado três anos antes apenas por diversão mais sucesso que já havia obtido ao longo de toda a sua carreira. O terreno parecia preparado para que o próximo álbum da banda repetisse o sucesso trazido por Pulp Fiction, mas não foi isso que aconteceu.

"Exit The Dragon", lançado no final de 1995, tratava de temas mais sérios e obscuros, nunca antes abordados pela banda. O primeiro single do disco, "The Break" não era nada comercial e teve pouca rotação nas FM's, enquanto que a banda enfrentava problemas durante a sua turnê, que acabou cancelada. Naquele momento, o baterista Blackie Onassis enfrentava sérios problemas com abuso de drogas e várias especulações começaram a questionar sobre o futuro do Urge Overkill. A Geffen procurou desmentir os boatos, afirmando que a banda iria retomar a turnê de divulgação do álbum no próximo ano e que "Exit the Dragon" seria relançado em janeiro.

Foi nesse clima de incertezas que o Urge Overkill voltou a tocar junto em janeiro de 1996, quando a banda se apresentou durante o Hollywood Rock no Rio e em São Paulo. O grupo chegou a fazer alguns shows na Europa mas a turnê cancelada nos EUA nunca foi remarcada. O disco "Exit The Dragon" foi então praticamente esquecido e praticamente sumiu das paradas e das rádios. A banda passou o restante de 1996 inativa enquanto tentava resolver seus problemas internos. No final do ano, as tensões entre Nash Kato e King Roeser aumentaram e resultaram na saída de Roeser da banda.

A sorte parecia mudar quando em 1997 um executivo da Geffen foi contratado pela gravadora 550 Music (do grupo Sony) e trouxe a banda para a nova gravadora. Nash e Blackie decidiram continuar com o Urge e chamaram o baixista Nils St. Cyr para substituir Roeser para gravar algumas demos para o próximo disco. No entanto, a saída de Roeser resultou numa disputa legal pelo nome "Urge Overkill" ao mesmo tempo em que a 550 Music rejeitou as demos e dispensou o grupo. Era o fim definitivo do Urge Overkill.

Eddie "King" Roeser hoje em dia toca numa banda chamada Electric Airlines, que ainda não lançou nenhum disco.

Nash Kato passou alguns anos afastado do rock e em 1999 começa a preparar sua carreira solo. O primeiro disco, "Debutante" é lançado em 2000 pela extinta gravadora Loosegroove Records (de propriedade de Stone Gossard do Pearl Jam), onde contou com colaborações de Blackie Onassis em algumas músicas.