CARLOS CEZAR & CRISTIANO

CARLOS CEZAR & CRISTIANO

Tudo começou numa reunião de amigos, com Cristiano fazendo a Primeira Voz, e a Segunda Voz, a cargo de Carlos Cezar e, em dado momento, espontaneamente, eles inverteram os papéis, dentro da mesma música, sem interrupção! Um "entendimento perfeito", sem combinação prévia, intuitivo, por assim dizer! Tal entrosamento animou Carlos Cezar e Cristiano a formar a dupla!
Ambos já lutavam bastante por uma Carreira Artística: Carlos Cezar como Cantor, Compositor, Letrista, Instrumentista e Produtor, com brilhantes participações em festivais diversos, tanto na MPB como também na Música Sertaneja. Carlos Cezar conseguia compor com incrível facilidade, chegando inclusive a musicar os versos ao mesmo tempo em que lia a letra da música.
Juntamente com José Fortuna, Carlos Cezar (ambos na foto à esquerda) compôs mais de uma centena de belíssimas páginas, gravadas por diversos excelentes intérpretes do quilate de Sérgio Reis, Tião Carreiro e Paraíso, Chitãozinho e Xororó e Duo Ciriema, apenas para citar alguns.
A consagração de Carlos Cezar como compositor e parceiro de José Fortuna aconteceu por ocasião do II Festival Record (em 1979, apresentado por Geraldo Meirelles), no qual os dois compositores conquistaram três primeiros lugares, com todos os méritos!!
"Riozinho" (José Fortuna - Carlos Cezar) foi defendida pelas Irmãs Galvão, com o próprio Carlos Cezar acompanhando-as com o Violão, e conquistou o Primeiro Lugar, tendo sido considerada como sendo a Melhor Letra, dentre mais de 13.000 concorrentes!
"Berrante de Ouro" (José Fortuna - Carlos Cezar) foi a Segunda Colocada e também arrebatou o prêmio de Melhor Melodia, tendo sido defendida por "Josemar e Joselito", juntamente com José Fortuna, Carlos Cezar e Pitangueira!
E "Brasil Viola" (José Fortuna - Carlos Cezar) contou com a belíssima interpretação a cargo do Duo Ciriema, mais um excelente grupo de Catireiros, e conquistou o Terceiro Lugar, além do prêmio de Melhor Interpretação!!
Ainda naquele ano, a Secretaria do Trabalho do Estado de São Paulo oficializou a composição feita também em parceria com José Fortuna, "Hino do Trabalhador Brasileiro" (Carlos Cezar - José Fortuna).
Dois anos depois, em 1981, Carlos Cezar e José Fortuna voltaram a conquistar o primeiro lugar no mesmo Festival com a composição "O Vai e Vem do Carreiro" (Carlos Cezar - José Fortuna) (que foi gravada por Sérgio Reis e também por Carlos Cezar e Cristiano).
Além das já citadas, merecem destaques outras belíssimas composições dessa excelente parceria de Carlos Cezar com José Fortuna, (foto à esquerda) como por exemplo "A Porteira" (José Fortuna - Carlos Cezar - O. Bettio), "A Vaquinha" (Carlos Cezar - José Fortuna - Oswaldo Bettio), "Caixinha De Ciúmes" (José Fortuna - Carlos Cezar), "Carga Pesada" (Carlos Cezar - José Fortuna), "Expresso Boiadeiro" (Carlos Cezar - José Fortuna), "Geração de Boiadeiro" (José Fortuna - Carlos Cezar), "Lágrimas" (José Fortuna - Carlos Cezar), "Manhã Sem Aurora" (José Fortuna - Carlos Cezar), "Moça Caminhoneira" (José Fortuna - Carlos Cezar), "Moça Do Carro De Boi" (José Fortuna - Carlos Cezar) (a música cujo trecho o Apreciador ouve ao acessar essa página), "Terra Tombada" (Carlos Cezar - José Fortuna), "Vento Violeiro" (José Fortuna - Carlos Cezar), "24 Horas de Amor" (Carlos Cezar - José Fortuna).
O jovem Cristiano, por outro lado, com sua voz excepcional e vibrante, além de bastante sensibilidade, também desenvolveu de forma brilhante a arte da Oratória. E, segundo alguns Apreciadores, parecia que ele se transportava para Outras Esferas quando cantava!
Desiludido, após tantas diferentes tentativas, já quase desistindo de tudo, Cristiano acabou "tendo a intuição" de procurar por Carlos Cezar, que já vinha se tornando famoso por suas já bastante requisitadas composições, inclusive em parceria com José Fortuna, que, por sinal, também foi um grande incentivador e "padrinho" da nova dupla que se formava, após ter testemunhado o maravilhoso entrosamento musical de ambos!
E a dupla também combinava uma completa ausência de vícios, não precisando recorrer ao "excesso de álcool" para a busca da inspiração...
Ambos de origem urbana, utilizavam a voz ao natural, sem forçar sotaques nem dialetos (achavam desnecessário os "nóis vai, nóis vem", tão descabidos na Música Sertaneja do início da década de 1980). Em diversas interpretações podemos também ouvir um belíssimo "vibratto" a cargo do Cristiano, em sua belíssima voz, perfeitamente harmonizada com a voz do Carlos Cezar!
A dupla chegou a ser conhecida na época como "A Nova Maravilha Sertaneja", com o modo de interpretar, a instrumentação, o repertório e o visual bastante originais e inovadores, sem no entanto ferir o velho estilo Caipira Raiz. Carlos Cezar e Cristiano atraíam uma média de 15.000 pessoas em suas diversas apresentações ao ar livre, nas diversas cidades por onde passavam.
Em termos de inovação musical, é interessante lembrar que ao final da década de 1970 e início da década de 1980, já eram conhecidas as versões interpretadas por Pedro Bento e Zé da Estrada, Belmonte e Amaraí e Tibagi e Miltinho, além da "revolução no visual" lançada pelas duplas Léo Canhoto e Robertinho e Milionário e José Rico.
Além de composições próprias (principalmente da brilhante parceria com José Fortuna), Carlos Cezar e Cristiano também gravaram diversas versões de músicas originalmente nos idiomas Inglês e Espanhol. E, nesse caso, faziam questão de cantar alguns trechos das músicas em Espanhol, pois consideravam que o grande público não estava sendo enganado: sabia que ouvia de fato uma versão! E, diferentemente de diversos "pop-sertanejos" que vieram depois, Carlos Cezar e Cristiano também deram um outro significado às músicas Country ("Sertanejo Norte-Americano"), das quais também gravaram algumas versões.
No início da década de 1980, antes mesmo de gravar o primeiro disco, a dupla já havia conquistado um enorme sucesso, de modo que haviam feito um contrato com o Governo do Estado de São Paulo (até 1982), pelo qual percorreram o Interior Paulista em caravanas diversas, nas quais eram bastante aplaudidos. Em Novo Horizonte-SP, por exemplo, a tourneé se prolongou por quase uma semana!
Após 1989, porém, pouco se sabe sobre essa dupla tão harmoniosa e original e de tão pouca duração, mas que ajudou a fazer a História da Música Caipira. Carlos Cezar faleceu no ano de 2002 e Cristiano ficou ausente do Mundo Musical durante 4 anos, após o período de atividade da excelente dupla com o Carlos Cezar.